domingo, 15 de novembro de 2015

DANDO A LUZ NO TAXI

                                                                                
Sai para trabalhar no meu taxi um domingo à tarde, o termômetro marcava 38 graus  em Manaus, com o ar condicionado  no máximo, sem esse item não tem condições de trabalhar, sou calejado de experiência como taxista  tenho bastante  oras de volante, posso dizer que sou uma  testemunha   privilegiada da evolução do transito na capital.

Um grande avanço em Manaus foi a implantação do SAMU, antigamente  qualquer tipo de emergência  era o taxi o primeiro  a ser chamado para prestar socorro. Taxi fazia papel de ambulância para todo tipo de vitima, se estiver  passando perto de um acidente com vitima, as pessoas parava o taxi e colocava a vitima e mandavam levar para o pronto socorro. Serviço de remoção de urgência barato, porque não podíamos recusar transportar uma pessoa em estado critico.

 Deixei um passageiro num bairro da zona sul de Manaus, em seguida vem um homem desesperado pedindo para eu parar, literalmente se jogou na frente do meu taxi. Parei ele entrou  e disse:

 - Rápido vamos buscar uma pessoa ali na frente, a minha mulher esta passando mal!.

 Fui até o local era um beco, ele desceu e logo em seguida  vem ele  e uma senhora trazendo uma grávida que mal podia andar, quase  carregada colocaram a  grávida no banco de trás. Uma senhora com umas sacolas  entrou junto,  e o rapaz na frente falou que era o marido da grávida. Pediu que levasse para a maternidade no bairro de São Jose.

Quando todos estavam acomodados sai com o carro, ai aquela mulher com a barriga enorme começou a sentir fortes contrações, o marido do meu lado, pedia pressa, enquanto tentava acalmar a mulher que sentia dor de parto, a mulher gemia e gritava pensei:

- É hoje que essa mulher vai parir aqui dentro do carro. Mulheres  já deram a luz dentro de taxi acontece. Lembrei-me de um colega taxista que fez o parto de uma senhora no banco de traz do seu taxi.

Olhei pelo retrovisor e vi que a mulher se contorcia de dor e gritava bem alto, aumentou minha aflição coloquei o pé no acelerador. Sabe como é as ruas dos bairros de  Manaus cheias buracos. Cada solavanco do carro era um grito da mulher, pensei:

- Essa  mulher não pode ter essa criança aqui dentro, tenho que chegar antes que ela grite que estourou a bolsa!

Sorte minha e da grávida que o transito dia de domingo e livre, coloquei a vida de todos que estavam dentro do carro em risco, graças a Deus entrei no pátio da maternidade.
O rapaz nervoso perguntou quanto custava à corrida. Falei :

- Amigo vamos tirar tua esposa do carro e levar para dentro da maternidade, pega uma maca  com os enfermeiros. Ele trouxe uma maca empurrada por uma enfermeira, colocamos a mulher que se contorcia com dor de parto, quando levaram a mulher para dentro, pelos gritos da grávida a criança estava nascendo. Ali no corredor da maternidade em cima da  maca.

 O marido dela me pagou, eu dei uma olhadinha no banco do carro pra ver se não havia  estourado bolsa da grávida. Graças Deus! Deu tudo certo mais uma missão comprida.

Quando estava saindo em busca de outro passageiro. Uma senhora que saia da maternidade perguntou se estava livre. Falei que sim.  Mandou esperar um pouco:

 - Vou buscar minha filha com o meu netinho!. Logo voltou com a  filha que sentou-se com o bebe no banco de trás, a mãe no banco da frente.

 Pediu que levasse até o porto, onde sai os barcos para os municípios do Amazonas, e falou:
 - Motorista  tu acredita que ela tem 16 anos e já teve esse filho?. Eu moro no interior e ela não que dizer quem é o pai dessa criança! Essa historia vou narrar em outra crônica.


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